domingo, 22 de junho de 2008

O VERDADEIRO INTERPRETE DAS ESCRITURAS

Compacto Tratado Teológico
Categoria: Hermenêutica.
Lima, Fernando – Salvador, 2008


Depois de ter percebido alguma dúvida de alguns irmãos do Caminho, com relação à expressão “Jesus como chave hermenêutica das escrituras”, em nossa Estação em Salvador; resolvi escrever estas linhas a fim de tentar expressar mais amiúde aquilo que sinteticamente falo em minhas pregações/conversas.

Afirmar a expressão supracitada, para mim, é muito maior do que a aplicação metodológica com fins teológicos, como comumente é tratada, “os assuntos sagrados pelos legisladores das escrituras”.

Neste mesmo espírito (aristotélico/tomaziano) nós poderíamos tecer uma série informações já fatigantes nos meios formais; como nos seminários teológicos. Contudo, a lógica, nem mesmo teo-lógica de Deus é minha preocupação. Mas, apenas, dês-preconcebidamente expressar a fé que me toma, a saber: que ter Jesus como chave hermenêutica das escrituras seja a revelação que compreende e reconhece a centralidade de Jesus.


A teologia fala de cristocentrismo; mas se contradiz quando a prática do que pregam é posto debaixo do sol escaldante da existência. Levando em conta, na maioria das vezes, não passar do plano theórico – assim mesmo do grego cuja idéia original é ‘ver de longe’.


Destarte, minha intenção aqui está explícita: expressar minha fé. No entanto, antes de expressar porque creio em Jesus como intérprete da bíblia, gostaria de citar alguns preconceitos já estabelecidos para esta compreensão.


O primeiro é o fato de a teologia ser um estudo praticado de modo vertical, sendo que partindo do eixo inferior ao superior, isto é, homens que estudam Deus. E, toda ela carrega ao longo de anos a fio influências diversas, das de natureza histórico- culturais às de conteúdo lógico, puramente humano. Vide Tomaz de Aquino que é Aristóteles cristianizado.

Segundo, contextualizado ao primeiro, mostra a confusão interior e reprimida pelos cristãos quando constata Deus no A.T. decretando a morte dos filhos de mama até o mais velho dos povos inimigos do povo Israel e, linearmente, mais adiante – encontrar Jesus ensinando a amar os seus inimigos.
O que acham da expressão de Jesus: “foi dito assim nas escrituras, Eu, porém, vos digo...?” Ou quando Jesus disse: “Errais não conhecendo às escrituras nem o poder de Deus”?


Ora, nossa relutância e discussão são para preservar o dogma da escritura ser palavra de Deus e não contê-la. Contudo, Jesus é simples quando diz que há o poder de Deus e as escrituras e, isto, diante do fechamento pra revelação dos saduceus que o inquiriam acerca da ressurreição.


Outrossim, acredito em escrituras e palavra de Deus. Sem, contudo, me preocupar o que contém ou não. Chamo à escritura de palavra de Deus e palavra de Deus de escritura, ciente que a Palavra não está presa a letra; nem mesmo contida nos compêndios teológicos. Entretanto, este assunto exige mais detalhes e não é nosso objetivo doravante.


Porque Jesus é a chave hermenêutica das escrituras?

A primeira vez que ouvi esta expressão foi pelo site www.caiofabio.com onde o Rev. Caio Fábio fala sobre sua convicção e implicação do que seja ter Jesus como chave hermenêutica das escrituras. Isto é, a chave interpretativa. O Caio dar razões para sua crença (denotando desinteresse em explicar como produção teológica) acerca de desse assunto. Ele diz que em sendo assim às escrituras estará exposta a revelação que o Entendimento que somente a mente não entende, visto que é iluminação e, por isto, há de compreender não só as escrituras; mas própria existência como implicação desse crê. Reitero, Jesus é o modus vivend modelo para nossos modus faciend e ou modus ponens em tudo na vida.

Entretanto, antes do Caio falar de modo objetivo e lúcido acerca disto, C. S Lewis também já tecido comentários acerca do assunto em forma de conteúdos em suas obras. Um exemplo é o livro Cristianismo Puro e Simples, onde fica explícito para o bom leitor que Lewis reconhece um Cristo acima de tudo.
Do mesmo modo, bem antes de C.S. Lewis e do Caio; Martinho Lutero, essa figura conhecida de todos nós; já havia dito que “às escrituras são servas de Cristo”. E, bem antes de Lutero, o apóstolo Paulo e os outros apóstolos, já faziam remetências do A.T. ao falar sobre Jesus e, isto, sem preocupação de isolar o contexto não incorrer em pretexto. Faziam isto sem medo algum: um grande mal do ponto de vista teológico. Só o livro de Hebreus é suficiente para tal percepção: leiam, por favor!


Ainda assim, como podemos reconhecer Jesus como tal, se o primeiro princípio, inviolável, irredutível e soberano – seja o princípio hermenêutico de “a bíblia interpreta a própria bíblia”?

Tal princípio, eivado de influência da teologia reformada que bibliolatra; faz com tudo seja visto de modo literal, reconhecendo as figuras de linguagem bíblicas; mas caindo em ambivalências e contradições pela literalidade da letra.

Vide que muitos pelas letras morreram e ou se tornaram insensíveis, a exemplo dos fariseus (estudioso-mor das escrituras) não compreenderem, nem perceberem que havia uma estrela diferente no oriente; o contrário dos magos da Pérsia que tanto viram quanto adoram Aquele de quem a estrela anunciava.


Sendo assim, o princípio “a bíblia interpreta a própria bíblia” é exeqüível quando visto pelo prisma exegético – que é o estudo analítico do texto em particular ou das palavras. No entanto, não deve ser posto como princípio absoluto de interpretação das escrituras.

A bizarrice implicativa desse princípio é aquele que diz a bíblia fechada é um livro e, aberta é a boca de Deus falando. O que para mim é uma disparidade, já que a Palavra de Deus, em sendo Logos foi Encarnada e, como Nabhi, é a boca que fala melifluamente, portanto, não está condicionada a interpretação dos profetas da teologia.

Posto estas coisas, Jesus como a chave interpretativa das escrituras implica em:
• Descansar dos desesperos teológicos acerca de questionamentos que em Jesus são tratados como: úteis, inúteis, enfáticos ou não.
• Remeter para Jesus todo A.T, visto que o próprio Jesus disse, que Leis e Profetas se resumem num só mandamento: “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração e toda a tua alma e, semelhante, ao teu próximo como a ti mesmo...”.
• A consciência de significado da vida deve ser a partir do modo como Jesus tratou todas às coisas e, aqui, eu uso as palavras do Rev. Caio Fábio em sua mensagem o Fenômeno da Comunicação Divina: “o que se tem a entender sobre vida está explicitado em Jesus; como Ele agiu, como tratou como amou, ao que deu atenção; ao que não deu nenhuma atenção...”
• Jesus não só falou do que interessa, mas sobre TODAS às coisas, que podem ser compreendidas e, sobretudo, percebidas, pelo espírito de ações, feitos e obras enquanto Verbo Encarnado entre os homens. A isto eu chamo de revelação e palavra de sabedoria. O Caio Fábio chama de o “espírito do evangelho”.

Deixo aqui estas declarações para fins de compartilhamento daquilo que creio expressamente em público acerca de minha fé. Contudo, não estou criando um dogma, mas apenas fazendo aquilo que minha consciência diz, conforme as palavras do apóstolo Paulo: Cri por isto falei!

Glossário:
Modus Ponens: modo de pôr, de encaixar, de ajuntar etc.
Modus Faciend: modo de fazer, de agir e de pensar.
Modus Vivend: Modo de vida.
Exeqüível: viável, apropriado.
Nabhi: Boca de Deus, em hebraico. Uma referência aos profetas no Antigo Testamento.
Logos: razão, palavra – Palavra no sentido comumente consentido no campo teológico.

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